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Intro

Buenos Aires – uma cidade culturalmente cosmopolita– transformou-se nos últimos anos em um dos primeiros destinos do turismo gay mundial, junto à Miami e Rio de Janeiro. A imagem “gay-friendly” da cidade foi acentuada a partir da aprovação da lei de União Civil em 2002.

O conceito de “heterofriendly”, que se impõe atualmente em Buenos Aires, propõe um intercâmbio e uma abertura entre os ambientes gay e heterosexuais, aberto à comunidade; a Buenos Aires “heterofriendly” é uma cidade aberta e sem guetos.
Buenos Aires recebe turismo gay do mundo inteiro. A maioria dos visitantes são homens; as mulheres `preferem o turismo familiar e o turismo aventura.


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Tango "gay porteño"

“La Marshall. Milonga gay”.
(Um bate-papo com Roxana Gargano e Mariana Docampo)

Em 2003 começou a funcionar a “La Marshall”, a primeira milonga para gays em Buenos Aires. O público é heterogêneo: nas aulas, aproximadamente 80% é homosexual; e na milonga 60%. O atrativo do lugar, para todos, é o sentir-se cômodo e dançar em um lugar desconstraido. A milonga foi batizada em homenagem à atriz argentina Nini Marshall (1903-1996), um símbolo para os gays locais.
Os róis no baile são os de “homem” e “mulher”, como se impõe na dança tradicional. Trabalha-se com os conceitos de “condutor” e “conduzido”. Nas aulas aprende-se ambos os papéis: a guiar e ser guiado.

A “La Marshall” também se diferencia pela música: esteve entre as primeiras a passar tango eletrônico e grupos contemporâneos. Atualmente está organizando um festival internacional de “tango queer” para novembro de 2007, que incluirá aulas, milongas e palestras - debate (tango e gênero entre outros temas).
A “La Marshall” funciona em Maipú, 444.


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Reportagem a Carlos Meliá

Buenos Aires é uma cidade tolerante?
Sim, absolutamente. Buenos Aires assumiu o novo conceito“heterofriendly”. Isto quer dizer que não há “ghettos”, mas um “ambiente mix”. A cidade ocupa um lugar importante nos novos destinos gay. É certo que Buenos Aires é mais tolerante a partir de cinco anos atrás, quando foi promulgada a lei de união civil (ver info relacionada), o que provocou maior visão na sociedade e deu exposição na mídia internacional e Argentina. Foi o pontapé inicial para a tolerância local e serviu também como promoção turística.

A cidade está preparada para o turismo gay?
Buenos Aires foi declarada como o primeiro destino em intenção de viagem de qualquer gay do mundo segundo a enquete do Planet Out.
O problema é que a cidade ainda não tem suficiente infraestrutura gay: hotéis, bares, discotecas de qualidade internacional. O consumo local não é o mesmo que o internacional que busca maior qualidade. O mundo gay é cem por cento imagem, marketing e sensibilidade.
A cidade é escolhida pelo agito cultural, pelo agito gay noturno, pelo estilo e pela vida boa

Que espera e que recebe um turista gay em Buenos Aires?
O gay vem sem expectativa mas... encontra oferta e se sente mais cômodo do que no Rio de Janeiro. Encontra uma cidade com arte, cultura, arquitetura e gente amável e disponível.
Não há muita informação sobre o turismo gay em Buenos Aires, mas funciona muito o “boca em boca”, e cada vez mais acontecem eventos, como o mundial de futebol gay em meados de setembro ou a saída do cruzeiro gay em fevereiro.

Como se define a cultura “heterofriendly” e em que se diferencia da cultura gay?
A cultura gay é o “ghetto”, o passado. Nós preferimos a cultura “heterofriendly”: viver o mundo “hetero” a partir de uma visão e uma sensibilidade gay; aproximar o mundo gay através da qualidade, da atenção e do serviço.
Há que mudar o conceito de ghetto para que se possa viver o gay livremente em toda a cidade. San Telmo pode se transformar em ghetto e isso é um retrocesso. A cultura “heterofriendly” baseia-se na tolerância, na não discriminação e em compartilhar estilos de vida.

Que oferta gay oferece Buenos Aires?
A oferta diurna é a cidade mesma e todas suas possibilidades. Com respeito à oferta noturna, o agito é das quartas aos domingos em bares, discotecas, restaurantes e hotéis de desenho. O hotel da cadeia Axel que está sendo construído vai marcar uma tendência e uma diferença muito importante na cultura “heterofriendly” de Buenos Aires.
Há que ressaltar que o mercado gay de BA é um 80% masculino. As mulheres viajam menos. Preferem o turismo aventura ou familiar e gastam menos. Ademais, as ofertas são diferenciadas porque os mercados gays não se mesclam. A cultura “heterofriendly” busca que se mesclem todos por dentro e por fora dos gays.

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*Roxana Gargano: uma das criadoras da “La Marshall”, é licenciada em bancos e empresas financeiras. Pratica tango “amador”.

*Mariana Docampo: professora de tango na “La Marshall” e se especializa em “tango queer”.

*Andrea Merellano: jornalista e uma das propritárias de Simón em seu laberinto.

*Carlos Meliá: gerente geral da agência de viagens “Pride Travel” e do site web bestfriendlyhotels.com, um buscador de hotéis “gay-friendly”. Desempenha-se como editor de publicações gays na Argentina, como “The Ronda y Camps”.
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