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Pela qualidade de seus cavalos puro sangue e o alto prestígio de seus polistas, a Argentina converteu-se em um destino obrigado para os amantes do pólo. O “Abierto Argentino de Polo”, que acontece nos meses de novembro há um século, enfrenta as mais reconhecidas equipes, como “La Dolfina”, “La Ellerstina” e “Indios Chapaleufú”.
A capital argentina é a única cidade do mundo que conta com um campo de pólo no perímetro urbano. O Campo de Pólo de Palermo, localizado no pulmão verde da metrópole, defronte ao hipódromo e muito próximo ao circuito de bosques e lagos (Avenida del Libertador, 4000), é um ímã para os fanáticos deste esporte, que viajam de todas as partes do globo para conhecê-lo.
A partir de meados de fevereiro, o Campo de Pólo se incorpora oficialmente ao circuito turístico da cidade. Serão oferecidas visitas ao estádio e incluso prestigiosos encontros com entrada franca, como a “Copa República Argentina”.


Fragmentos de uma entrevista

(Gustavo Sgalla, jornalista especializado em pólo.)


– Por que o Campo de Pólo de Palermo é considerado como a Catedral do Pólo?
É o único estádio de pólo no mundo localizado a dez minutos do micro centro de uma grande cidade, e onde se desenvolve desde 1928 o “Campeonato Argentino Abierto de Polo”, que é o torneio mais importante a nível mundial, com 117 anos de história. Também é o mais moderno, apesar de haver sido inaugurado em 1928; é o que mais comodidades oferece ao espectador. Ademais, é histórico: foi uma das sedes dos jogos Pan-americanos de 1950, e de várias séries pela “Copa das Américas”, na qual a melhor equipe da Argentina se enfrenta a melhor equipe dos Estados Unidos. E deste mesmo lugar, Jorge Newbery realizou as primeiras subidas em globo.

– Que faz com que os polistas e cavalos argentinos estejam entre os melhores do mundo?
As características principais dos cavalos argentinos são sua velocidade e docilidade, duas virtudes contraditórias. Os puros-sangues de corrida são os mais velozes mas não são dóceis; sim o são os cavalos de raça crioula, que são usados para trabalhar no campo. A Argentina tem grande quantidade de criadores que usam a ciência para melhorar a cria, e cruzaram estas duas raças. Assim se obteve uma raça nova chamada Pólo Argentino, com condições genéticas ideais para o esporte.
O segundo ponto tem a ver com os “peticeiros”, as pessoas que cuidam dos cavalos e os acompanham em seus primeiros passos no pólo, como um tipo de “personal trainers”.
Finalmente, mesmo não sendo um esporte popular, o pólo está amplamente difundido na Argentina. O país com maior quantidade de campos, clubes e competências; tanta atividade permite ter uma pirâmide com grande quantidade de jogadores em todos os níveis de handicap, que são muito requeridos para jogar no exterior.

– Quais são os melhores jogadores e equipes do pólo argentino?
Se armássemos uma competição das cinco melhores equipes de todos os tempos, seriam Coronel Suárez, Venado Tuerto, La Espadaña, Indios Chapaleufú e El Trébol. Com respeito aos jogadores, Juan Carlos Harriott (h.) e Adolfo Cambiaso (h.) são os mais destacados de uma lista enorme. Harriott foi o líder de Coronel Suárez, a equipe que mais venceu na história do “Abierto Argentino”, e um dos maiores representantes da Seleção Argentina. Sua capacidade para ler o jogo o levou a ser o número um. Adolfo Cambiaso, ainda em atividade, mudou a forma de jogar com um domínio incrível da bola.

– Qual é a competição mais importante?
O “Campeonato Argentino Abierto”, o único torneio no mundo onde participam equipes de entre 28 e 40 gols de “handicap”: em cada equipe estão os melhores jogadores do mundo. Atrás se encontram o “Abierto del Hurlingham Club” e o do “Tortugas Country Club”, as etapas prévias ao “Abierto Argentino”, onde jogam as mesmas equipes, mas geralmente com outros cavalos. No mundo, o seguem em ordem de importância o US Open, que acontece em “Palm Beach”, Estados Unidos, e a “Copa de Oro”, na Inglaterra.

– Por que as partidas de pólo argentino são tão buscadas pelos turistas?
Muitos sabem que o melhor pólo do mundo está aqui. Podem viver uma jornada bem descontraída vendo uma partida em um clube de pólo, talvez até compartilhar o campo com os jogadores e passar um dia de campo, ou ir à “Catedral del Pólo” desfrutar do torneio mais importante a nível mundial. Geralmente os turistas, muito mais que os argentinos, ao chegarem ao campo de Palermo sentem que entram a um lugar único, como Wimbledon, onde vão ser testemunhas de evento esportivo irrepetível.


Acima


*Gustavo Sgalla: jornalista especializado em pólo desde 1986. Foi cronista no jornal “La Nación” de Buenos Aires até 1997, e a partir de 1994 é comentarista e produtor de todos os programas de pólo do ESPN; atualmente, é também um dos condutores de SportsCenter, o noticiário do ESPN, y colunista do ESPNdeportes.com.
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